The Cross – Requiescit in Pace Frater Noster
Por Vanessa Neves Portugal – Lisboa
Uma jornada através do luto, da memória e da eternidade
No abismo entre o mundo dos vivos e o sussurro dos mortos, The Cross — pioneira do Doom Metal na América Latina — ressurge com sua obra mais solene, intensa e reverente. O álbum “Requiescit in Pace Frater Noster” não é apenas um lançamento: é um ritual sonoro, uma oferenda aos irmãos que partiram, uma marcha lenta entre o lamento e a luz.
☩ Um álbum em forma de cortejo fúnebre
Cada faixa é um portal. Uma memória transformada em som. Um testamento de amizade, luto e eternidade. The Cross não apenas homenageia figuras que marcaram sua trajetória — como os músicos Louis e Elly —, mas também presta tributo às raízes do gênero, com releituras emocionantes de My Dying Bride, Novembers Doom e Saturnus.
Confira essa procissão sonora:
1. Requiescit in Pace Frater Noster — O Chamado do Silêncio Eterno
A introdução é um verdadeiro portão cerimonial. Sinos ecoam à distância, vocais fúnebres invocam memórias, enquanto riffs pesados guiam o ouvinte pela passagem entre os mundos. É o lamento do irmão que partiu, mas nunca silenciou.
2. In Funere — Na Presença do Caixão
Lenta, densa e cerimonial, essa faixa é como um punhado de terra lançado sobre o túmulo de alguém amado. O peso da ausência não grita, mas sussurra em reverência.
3. Semita Solitudinis — A Trilha Solitária de Louis
Um tributo intimista ao ex-integrante Louis, que agora vive entre os ecos da solidão e do tempo. A música soa como passos entre a neblina — cada nota, uma lágrima não derramada.
4. Elly Tales — O Cântico de Elly
Mais que homenagem, um canto mítico. Elly, mente criativa e espírito indomável, é lembrado aqui como lenda. A faixa mistura melancolia com grandiosidade, vida com eternidade.
5. The Fever Sea (My Dying Bride) — O Mar da Febre e da Dor
Uma releitura imersiva do doom britânico, onde a febre, a dor e a perdição se entrelaçam em ondas sonoras devastadoras. Um oceano emocional que arrasta o ouvinte ao fundo.
6. Within My Flesh (Novembers Doom) — Sob a Pele, o Sofrimento
A dor encarnada. A banda destila angústia em cada acorde, como se rasgasse a própria carne para cantar. Um tributo visceral e necessário ao sofrimento humano.
7. I Love Thee (Saturnus) — O Amor Além do Túmulo
Fechando o ciclo com uma oração sussurrada ao além, a faixa traduz o amor que transcende a vida. Um último abraço em forma de som. Uma promessa de lembrança eterna.
Um marco no Doom Metal brasileiro
Com “Requiescit in Pace Frater Noster”, The Cross atinge um novo patamar artístico e espiritual. É um trabalho que não busca apenas consolar, mas eternizar. Uma oferenda sonora para quem se foi e um lembrete para quem ainda respira: a dor pode ser bela, quando transformada em arte.
📀 O álbum já está disponível nas principais plataformas digitais. Prepare-se para atravessar o véu com os ouvidos atentos e a alma aberta.
📸 Capa por: Paulo Monteiro
🎚️ Produzido por: The Cross
