Pitty: turnê ACNXX em Brasília

Fotos tiradas por Lucca Miranda e retiradas do perfil do Instagram de Pitty

Na edição 44 do Podcast do Bahiarock em janeiro de 2023 o guitarrista Martin Mendonça contou que Pitty sairia em turnê para celebrar os 20 anos do lançamento do primeiro disco “Admirável Chip Novo”. Infelizmente essa série de shows ainda não tem previsão de passar na Bahia, mas ela segue firme pelo país e passou por Brasília, onde a artista participou do Festival Rock Popular Brasileiro, evento que também contou com outros nomes importantes do rock nacional como Frejat e Humberto Gessinger.

Pitty foi a quarta atração da noite e reuniu um grande público para assistir sua apresentação. O show começou de forma curiosa com um áudio de uma ligação a cobrar feita pela artista para Rafael Ramos, produtor responsável pelo “Admirável Chip Novo” e pela gravadora DeckDisc, que lançou o disco em maio de 2003. Na conversa ela conta que acabou de enviar pelos correios a demo com músicas que entrariam no futuro álbum. A ideia da turnê é justamente celebrar esse início da carreira e esse recurso funcionou para criar o clima de nostalgia.

O show começou com “Teto de Vidro”, que também abre o disco “Admirável Chip Novo”. A formação da banda conta com Martin Mendonça na guitarra e Guilherme Almeida no baixo, que já faziam parte do grupo, e a novidade fica por conta da presença do baterista Jean Dolabella (que já tocou no Sepultura, Diesel, Udora e Ego Kill Talent), que substituiu Daniel Weksler (que está ensaiando para a turnê da volta do Nx Zero). Após eles subirem no palco, Pitty entra por último e sobe em uma plataforma montada atrás da bateria. Ela cantou e tocou guitarra ao mesmo tempo, remetendo justamente ao início da carreira, pois com o passar do tempo e principalmente após a entrada de Martin a artista pôde durante as apresentações ao vivo se dedicar apenas à voz.

Essa formação “simplificada” da banda sem teclado fez com que a sonoridade ficasse mais pesada para emular melhor as músicas do primeiro álbum. Já a cenografia do palco contava com luzes na cor roxa, a cor mais marcante da capa de “Admirável Chip Novo”. Durante o show a artista percorreu o palco e em alguns momentos as luzes se apagavam, ficando apenas o telão ao fundo ligado, dessa forma o público enxergava apenas as silhuetas da cantora. Esses detalhes são importantes para mostrar o quanto Pitty preparou com carinho essa turnê.

Já a resposta do público com o repertório teve altos e baixos. Nem sempre é fácil agradar quem vai a festivais, pois normalmente não costumam ser os fãs dos artistas, mas sim aqueles que querem ver um pouco de cada banda. É claro que “Admirável Chip Novo” conta com grandes hits de Pitty, como “Máscara” e “Equalize”, e essas canções agitaram muito a plateia. Méritos também para a própria cantora que com seu carisma e interação com as pessoas conseguiu transformar essa apresentação quase como um show solo, ainda mais que após o fim foi possível ver muita gente indo embora e ainda tinham outros shows na sequência, mostrando que muita gente foi lá só para vê-la.

O repertório contou obviamente com a predominância das músicas de “Admirável Chip Novo” e no show de Brasília apenas “Só de Passagem” ficou de fora, mas nos outros shows da turnê ela esteve presente. É bom ver como as músicas continuam atuais, tanto nas letras quanto na sonoridade. E é interessante pegar essa sensação de nostalgia para relembrar o início da carreira de Pitty, observando que as influências de ficção científica e filosofia ditaram esse começo onde o rock de guitarras pesadas e distorcidas dominavam a sonoridade, mas que ao longo da carreira a artista explorou outros temas e outros timbres, se tornando a principal representante do rock brasileiro da atualidade. Essa turnê funciona como celebração, afinal de contas já se passaram 20 anos, mas também é uma oportunidade para os fãs que surgiram durante a trajetória e que não acompanharam esse início ter uma oportunidade de visitar. Enquanto os fãs de longa data puderam revisitar esse passado e todo o sentimento de carinho nostálgico envolvido.

Banda Pitty. | Foto: Culturaliza BH.

Na parte final da apresentação, após encerrar a celebração dos 20 anos de “Admirável Chip Novo”, Pitty fechou o show com três grandes músicas dos seus discos seguintes: “Memórias” e “Na Sua Estante” do “Anacrônico”, e “Me Adora” do “Chiaroscuro”. Talvez tenha sido o momento no qual o público mais vibrou, mas entra o fato já citado de ser show em festival, junto com a questão de estar mais próximo do fim, onde inclusive a cantora fez questão de perguntar se a plateia estava cansada.

O importante é que a artista baiana mostrou nesse show que tem uma carreira incrível e o fato de celebrar seu primeiro trabalho que completou 20 anos, sendo que talvez na atualidade Pitty esteja no auge de sua popularidade, é uma marca impressionante que sem dúvidas merece ser festejada. E essa festa em formato de turnê é sem dúvidas um grande presente para os fãs.

Agora resta para os fãs baianos aguardar a confirmação da passagem dessa turnê pelo estado, enquanto eu aqui de Brasília torço para que Pitty retorne à capital do país em um show solo onde seja possível apreciar ainda mais essa turnê comemorativa dos 20 anos do “Admirável Chip Novo”.

Fonte do conteúdo: bahiarock.com.br

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